Antes de mais, faço uso da palavra para questionar e, através do diálogo, ver a realidade da situação da dengue em Cabo Verde. A meu ver foi marcante a acção de limpeza promovida pelo governo, na passada sexta-feira, que permitiu pelo menos 3 coisas:
1. Alertar a sociedade civil para a necessidade de uma acção colectiva no espaço público e para a responsabilidade cidadã.
2. Assunção total por parte das autoridades na tarefa de identificar e agir sobre grandes focos urbanos, essencialmente constituídos por pardieiros e valas, que existem em cada esquina.
3. Foi também notável a intensa comunicação, informação e mobilização de recursos entre o público e o privado.
No entanto no sábado, por volta das 14h, na Quebra-canela, sentado numa pedra lá onde as ondas rebentam e corre vento, notei um pequeno insecto que rondou a minha canela pulando de ponto para ponto rapidamente. Parecia cinzento, mas depois fiquei com a impressão que podiam ser pintas brancas. Detalhe era muito pequeno, tinha asas e era muito rápido.
Claro que pensei imediatamente se não seria o tal, mas entretanto o vento não o afastava de tão pequeno e ágil que era.
Tenho dúvidas em assumir se foi mesmo um mosquito porque eu tenho acreditado no que leio: a) o mosquito vive em habitações, preferindo o interior a espaços abertos; b) está-se mais protegido em lugares ventilados; c) e, não sei porquê, pensei que o mosquito fosse maior do que os comuns. Esta é a informação que eu tenho e que acredito que as pessoas têm tido.
Pois, o
Aedes aegypti fêmea, é menor comparado com outros, normalmente com
3 ou 4 milímetros, descontando o comprimento das pernas. É totalmente preto além de pontos brancos no corpo e na região da cabeça com anéis na pernas. Tem asas translúcidas com a ponta bordada.

Ou seja, o inimigo é praticamente invisível e é muito provável que o insecto que eu vi na quebra seja mesmo um desses. A confirmar-se teremos que repensar a estratégia. Já comecei a ligar às pessoas que vi na praia e um está com sintomas. Nesse dia reparei que fiquei muito cansado, tendo dormido exageradamente. Eu já tive dengue, logo em mim o vírus só evolui se for doutro tipo.
Com base nessa dúvida começo a crer que devemos encarar a situação de uma outra forma visto que os mosquitos estão aí e sinceramente acho que não estamos devidamente esclarecidos e nem preparados para lhes fazer frente:
- Segundo diversos sites consultados, em cada 10 pessoas picadas, 2 desenvolvem a doença e é provável que na Praia grande parte da população já esteja picada. Reparem na Achada Santo António: segundo o Director do Hospital no jornal da TCV, são cerca de 700 casos registados nesse bairro, o que dá um potencial de 3500 pessoas que terão sido picadas no mínimo.
- Se temos incubado o mosquito que agora transmite o vírus, estaremos perante um problema que pode vir a ser endémico? Ou seja, a cada estação de chuva seguir-se-á um novo levantamento de mosquitos?
- Obviamente o trabalho de limpeza de focos é essencial mas ainda não resolve o problema que está a acontecer agora, em 2009, até que todos os insectos sejam eliminados. Esta geração de mosquitos já vive e só com a seca poderemos garantir que a crise acaba.
Se é assim, a acção tem definitivamente de ser outra. Fica o Alerta!!
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